Por que revisar não é passar o corretor do Word
O corretor automático encontra o que está escrito errado. Ele não encontra o que está escrito de forma correta e mesmo assim errada. Não percebe que o personagem tinha olhos castanhos no capítulo três e verdes no capítulo nove. Não avisa que a mesma palavra aparece quatro vezes no mesmo parágrafo. Não entende que “o médico disse ao paciente que ele estava enganado” não deixa claro quem estava enganado.
Revisão profissional é leitura humana, lenta e desconfiada. É ler cada frase duas vezes: uma para entender e outra para procurar o que pode ser mal entendido. Em um livro de 250 páginas, isso significa dias de trabalho — e é o que separa um livro publicado de um livro que parece amador na terceira linha.
Duas rodadas, não uma
A primeira rodada acontece sobre o texto ainda em arquivo de edição. É onde entram as correções de língua e as decisões de padronização. Depois que o livro é diagramado, vem a segunda: a conferência de prova.
Essa segunda passada é indispensável, e muita gente pula. Ao paginar, o texto ganha problemas que não existiam no Word: uma linha solta no topo da página, uma palavra dividida no lugar errado, um título que ficou no fim de uma página e o texto correspondente no começo da outra. Isso não é preciosismo — é o que faz o livro parecer feito por gente que sabe o que está fazendo.
Quando revisão não é o suficiente
Se ao ler o seu texto você sente que “tem alguma coisa errada mas não sei o quê”, provavelmente não é revisão que falta. Problemas de ordem de capítulos, começo arrastado, ideias repetidas ao longo do livro e cenas que não avançam são de outra natureza — e se resolvem no copidesque.
Revisar um texto que ainda vai mudar de estrutura é jogar dinheiro fora: o trecho revisado hoje pode ser cortado amanhã. A ordem correta é sempre copidesque primeiro, revisão depois.