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Copidesque e preparação

O trabalho de fundo. Estrutura de capítulos, ritmo, corte de excessos, resolução de incoerências e repetições — sem tocar na sua voz.

O que é copidesque e por que quase todo livro precisa

Copidesque — também chamado de preparação de original ou preparação de texto — é a etapa da edição que trabalha a construção da obra, não a sua superfície. É o que acontece nas editoras entre o aceite do original e o envio para a revisão final, e é justamente a etapa que a maioria dos autores independentes pula sem saber que existe.

O resultado dessa lacuna é previsível: livros corretamente escritos e impossíveis de ler. Texto sem erro de português, mas com o primeiro capítulo contando a história de trás para frente, com a tese principal aparecendo na página 90 e com a mesma ideia explicada de três formas diferentes ao longo de quatro capítulos.

O problema de ler o próprio texto

Depois de escrever e reler um original dezenas de vezes, você deixa de enxergá-lo. Passa a ler o que quis dizer, não o que está escrito. Preenche automaticamente as lacunas que o leitor não vai conseguir preencher. Acha natural uma ordem que só faz sentido porque você sabe o final.

Esse é um limite cognitivo, não uma falha de talento. Acontece com escritores premiados. É exatamente por isso que existe a figura do preparador: alguém que lê o texto pela primeira vez, com atenção profissional, e devolve o que realmente está na página.

Onde a linha não se atravessa

Existe um limite claro no copidesque: a voz é do autor. Se depois da preparação o livro parecer escrito por outra pessoa, o trabalho falhou — por melhor que tenha ficado o texto. Meu papel é remover obstáculos entre você e o leitor, não substituir o seu jeito de dizer as coisas pelo meu.

Na prática, isso significa que toda intervenção relevante é apresentada com marcação de revisão e um comentário explicando o porquê. Você aprova, recusa ou propõe outra solução. Já aconteceu de um autor recusar um corte e ter razão.

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